Largar tudo para começar a empreender?

August 28, 2019

Quase formando na faculdade, prestes a entrar naquele limbo do “Formei: o que vou fazer da minha vida agora?”, recebi uma proposta. E aceitar essa proposta foi a decisão mais fácil (mesmo que às vezes pareça a pior) da minha vida.

 

Poderia ter sido difícil para a maior parte das pessoas que eu conheço, já que as circunstâncias exigiam que eu pedisse demissão para embarcar nessa oportunidade. 

 

E, por mais que eu sempre soubesse que passar o resto da vida trabalhando para realizar os sonhos de outras pessoas não era o meu motivo de estar nessa terra, a dor dessa renúncia não deixou de existir.

 

Antes de entrar nessa mudança de rumo da minha vida, precisamos voltar um pouco no tempo para o que me permitiu ter essa oportunidade e como eu mesma criei essa condição em um ambiente nada propício.

 

Talvez você já tenha me visto falar que eu sou graduada em Administração. E, se me ouvir falar sobre isso, sabe também que eu tenho ideias muito melhores do que faria hoje com aqueles 4 anos e os mais de 40.000 reais de investimento, que me trariam melhores aprendizados e muito mais resultado.

 

Mesmo assim, não quer dizer que seja algo que eu me arrependa. Apenas tenho a certeza de que meu tempo e esse dinheiro poderiam ser melhor aproveitados com outros cursos e experiências.

 

E no final do curso, mais para outubro ali, passaram alguns alunos de Sistemas da Informação, um outro curso lá da faculdade, e um representante do Sebrae passaram convidando a gente em uma aula para o Startup Weekend.

 

Se você já conhece, sabe que é um evento onde acontece a formação e competição entre Startups durante apenas 3 dias.

 

E, se você estiver pensando que minha empresa ganhou e por isso eu recebi o convite que comentei no começo, ERROOOOOU!

 

Nós ficamos em 4º.

 

 

 

 

Na verdade, esse 4º lugar não era para existir. Criaram essa honra ao mérito apenas para reconhecer a nossa jornada.

 

E, para ser sincera, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o meu crescimento como pessoa e profissional naquela experiência.

 

No começo daquele fim de semana, eu me identifiquei de cara com o Japa. Ele era um dos mentores do Startup Weekend e era totalmente desapegado da pose de “guru” que alguns dos outros mentores tinham.

 

Totalmente acessível, extremamente aberto para compartilhar a sua experiência e, melhor de tudo, sem um pingo de preocupação em criticar o que a gente estava fazendo.

 

Ao contrário do que muitas pessoas costumam fazer e pensar, a melhor forma de ajudar uma pessoa a crescer é mostrando o quanto ela está indo pelo caminho errado. É o que eu mais faço nos meus cursos e mentorias, por sinal.

 

Não confunda apontar que uma pessoa está no caminho errado com apontar defeitos de uma pessoa.

 

Quando você faz o primeiro, você tem o objetivo de abrir os olhos dela para que ela não continue a ir em direção ao abismo. Agora, no segundo caso, você está apenas preocupado em mostrar o quanto você é melhor e sabe mais do que a pessoa.

 

Claro que isso faz sentido se você tem mais realizações nesta área do que a pessoa que você está direcionando. Se você fizer qualquer coisa relacionada à ciclismo, por exemplo, na minha frente, eu não vou ter a mínima ideia se está certo ou errado. 

 

Agora, se estiver indo em um caminho dentro de negócios, marketing e outros assuntos desse mundo, é provável que eu tenha algo a dizer e vou me sentir na obrigação de te ajudar sem precisar cair nos mesmos buracos que já caí.

 

Em uma dada hora lá no Weekend, eu tive que tirar uma dúvida com ele. Contei que já trabalhava há quase 3 anos com Marketing Digital, tinha alguns clientes que conseguia em sites de Freela, e queria fazer disso um negócio de verdade.

 

Ele desenhou rapidamente um modelo simples, escalável e que eu poderia começar imediatamente para fazer isso.

 

Na época, eu achei incrível, mas me faltou uma coisa simples: coragem.

 

Eu tinha a habilidade, ele me entregou o como, só que faltava a autoconfiança para passar pelos pensamentos comuns à nós, seres humanos, quando vamos fazer algo novo: “E se não der certo?”; “E se ninguém confiar em mim?”; “Será que tem mercado para isso aqui?” e muitos outros.

 

Passaram algumas semanas do final do evento e aconteceu aquela tragédia de Mariana. E, mesmo não sendo diretamente atingidos aqui na região, foi por pouco. Com isso, começamos a pensar em alguma forma de contribuir.

 

Em uma conversa, o Japa se ofereceu para vir de graça de São Paulo, palestrar e, com o arrecadado, comprarmos água mineral. Decidimos levar inclusive para uma cidade aqui vizinha onde a lama chegou mas, por ter um impacto um pouco menor, ninguém estava pensando em ajudar.

 

Hoje, acho que foi um teste. Eu teria poucos dias, precisaria preparar tudo isso sem nunca ter organizado nem festa de aniversário e fazer o máximo para essas palestras custarem nada ou quase nada e o dinheiro ser todo doado.

 

Acabamos lotando um caminhãozinho de água. O convite para a sociedade veio dias depois dele ir embora.

E o convite veio com um compromisso atrelado: eu precisaria ir para São Paulo passar uma semana trabalhando com ele, para aprender como ele faz negócio e também para estruturarmos a empresa, já que eu seria a responsável por administrar o dia-a-dia dela aqui em Minas. 

 

O problema: eu estava em período de experiência na empresa. Na verdade, a experiência acabaria exatamente 1 semana antes da data que eu precisaria ir para São Paulo. E já estava tudo acertado para eu ser efetivada.

Ou seja, eu precisaria pedir demissão!

 

A esse ponto você já deve ter percebido que sim, eu pedi demissão. Usei o acerto exatamente para a viagem. Mesmo sem perspectiva alguma de que isso poderia dar certo. E tendo visto o cara apenas uma vez na minha vida.

 

Chegando lá, andei com ele de 8h da manhã até as 1h e pouca do outro dia. Conheci e presenciei reuniões dele com vários empreendedores, dos mais variados mercados e, mais importante, desde aspirantes à donos de negócios multinacionais.

 

E dois desses dias foram dentro da Campus Party. E lá dentro descobri e presenciei em pleno funcionamento a milionária indústria do empreendedorismo de palco.

 

Se você nunca ouviu falar disso, melhor do que te explicar é te dar o acesso à explicação do criador desse termo, meu mentor Ícaro de Carvalho, sobre como o empreendedorismo de palco pode acabar com seu negócio. 

Percebi que eu estava caindo nessa na hora? Não. Mas depois de um tempo descobri que meus sócios daqui eram os perfeitos espécimes dessa raça.

 

O Japa realmente é um empresário de verdade, um empreendedor nato. Fez algumas escolhas na vida que eu não faria? Claro. Mas essa é a beleza de um mundo onde somos indivíduos, únicos, e, ainda bem, não somos iguais, né?!

 

Levei alguns meses para perceber que, apesar da minha vontade e das habilidades do Japa, como o negócio não dependia só de nós dois, não daria certo.

 

O que eu fiz, então? Levantei a cabeça e comecei por mim mesma. Que opção eu tinha? Já tinha aposentado minha carteira de trabalho eternamente.

 

Em pouco tempo, meus amigos me chamam para trabalharmos juntos, mas é assunto para outra hora.

 

No nosso próximo encontro por aqui, vou te contar como que, depois de alguns negócios falidos eu finalmente consegui engatar uma máquina de criar negócios lucrativos.

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

A verdade revelada: Como começar a empreender sem ter dinheiro [presente no final]

February 10, 2019

1/2
Please reload

Posts Recentes